Análise da relação entre a qualidade de vida e a depressão em pacientes geriátricos em instituição de longa permanência (ILPI)
Resumo
O presente estudo avaliou o perfil de idosos com sintomas de depressão e sua relação com a qualidade de vida em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) no Distrito Federal. A alta prevalência de transtornos depressivos em idosos institucionalizados e seu impacto negativo na saúde configuram um problema de saúde pública, motivando a investigação dos fatores associados a este cenário. O objetivo foi analisar a correlação entre sintomas depressivos e a percepção da qualidade de vida, além de identificar determinantes sociais e ambientais que influenciam este fenômeno. Caracterizou-se como uma pesquisa de campo, de delineamento transversal e abordagem mista, realizada com uma amostra de 15 residentes do Instituto Lar dos Velhinhos Maria Madalena. A coleta de dados quantitativos utilizou os instrumentos Escala de Depressão Geriátrica (EDG-15), WHOQOL-BREF e Mini Exame do Estado Mental (MEEM), enquanto a abordagem qualitativa se baseou em registros em diário de campo, analisados pela técnica de Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados indicaram que um terço (33,3%) da amostra apresentou sintomas de depressão leve. O achado principal foi a confirmação de uma correlação inversa, forte e estatisticamente significativa entre a intensidade dos sintomas depressivos e a qualidade de vida, especialmente nos domínios Físico (r=-0.825) e Psicológico (r=-0.701). Evidenciou-se também que a participação frequente em atividades coletivas atua como fator protetor para a qualidade de vida social (p=0.017). De forma paradoxal, a observação qualitativa de "Queixas de Saúde Não Atendidas" associou-se a uma melhor qualidade de vida social (p=0.044), sugerindo que a verbalização de necessidades pode funcionar como uma estratégia de interação. Conclui-se que a depressão impacta negativamente a qualidade de vida dos idosos institucionalizados e que o engajamento social constante é um pilar para o bem-estar. O estudo aponta para um modelo de atenção que valorize não apenas a saúde, mas também a promoção de laços sociais, reconhecendo a comunicação de necessidades como uma busca por conexão.
Palavras-chave
qualidade de vida; depressão; geriatria; instituição de longa permanência.
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PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10822
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