Comparação das variáveis hemodinâmicas e função pulmonar de jovens universitários usuários e não usuários de cigarro eletrônico
Resumo
A popularidade dos dispositivos de cigarros eletrônicos (CE), impulsionada por uma percepção de menor risco e atrativos como sabores diversificados , contrasta com a proibição da ANVISA no Brasil e evidências de problemas de saúde associados. O objetivo geral foi comparar parâmetros hemodinâmicos, função pulmonar, desempenho cardiorrespiratório e características físicas entre jovens universitários usuários e não usuários de CE. O estudo, de abordagem transversal e quantitativa , incluiu 60 voluntários universitários, com idades entre 18 e 34 anos, de um Centro Universitário do Distrito Federal. Os participantes foram submetidos a avaliações das características sociodemográficas, antropométricas e de composição corporal , além de espirometria e um teste de esforço máximo em esteira para análise de variáveis hemodinâmicas e desempenho cardiorrespiratório através do teste incremental em esteira para verificar o Volume Máximo de Oxigênio (VO₂máx). A maioria era de cursos da área da saúde (85,00%), consumia bebida alcoólica (78,33%) e era fisicamente ativa (70,00%). Entre os usuários de CE, observou-se elevada frequência de uso, com 62,07% utilizando o cigarro eletrônico regularmente, sendo 41,38% diariamente e prevalência de policonsumo de outras substâncias como narguilé, cigarro de palha, maconha e cigarro convencional. Os resultados revelaram que, embora não houvesse diferenças significativas em peso, estatura e IMC entre os grupos , os usuários de CE apresentaram menor massa muscular (p=0,039) e pior função pulmonar, com valores mais baixos de pico de fluxo expiratório (PEF). No desempenho cardiorrespiratório, usuários fumantes exibiram menor VO₂máx (32,66 x 43,74 ml/kg/min; p<0,001), menor velocidade e tempo no teste, indicando pior capacidade aeróbica. Do ponto de vista hemodinâmico, a pressão arterial diastólica (PAD) foi maior em repouso nos usuários (p=0,013), que também apresentaram frequência cardíaca (FC) e duplo produto (DP) de repouso mais elevados, além de uma recuperação mais lenta da frequência cardíaca e da pressão arterial após o exercício. Observou-se ainda alta frequência de uso diário de CE, padrões de policonsumo e elevado insucesso em tentativas de cessação. Tais resultados indicam que o uso de cigarros eletrônicos entre jovens universitários está associado a menor massa muscular, pior função pulmonar, redução do desempenho cardiorrespiratório e alterações hemodinâmicas em repouso, esforço e recuperação. Em conclusão, o uso de cigarros eletrônicos está associado a menor massa muscular, pior função pulmonar, redução do desempenho cardiorrespiratório e alterações hemodinâmicas, ressaltando a necessidade de ações preventivas e educativas para conscientizar sobre os riscos à saúde nessa população.
Palavras-chave
Cigarros eletrônicos; Função pulmonar; Aptidão cardiorrespiratória.
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PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10861
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