Efeito na ordem de ingestão de alimentos na glicemia pós-prandial

Laurent Jean de Ávila Pinardon, Camila Melo Araújo de Moura e Lima

Resumo


Este estudo investigou o efeito da ordem de ingestão de alimentos na glicemia pós-prandial, buscando compreender se a sequência de consumo poderia influenciar significativamente a resposta glicêmica e, assim, contribuir para estratégias de controle metabólico. A pesquisa foi motivada pelo crescente interesse em intervenções nutricionais que auxiliem no manejo de condições como obesidade, pré-diabetes e diabetes tipo 2, considerando que o controle glicêmico pós-refeição desempenha papel central na prevenção de complicações metabólicas. Trata-se de um estudo transversal, conduzido no Laboratório de Habilidades Alimentares do Centro Universitário de Brasília (CEUB), com 16 participantes saudáveis, eutróficos e fisicamente ativos, de ambos os sexos. Os voluntários participaram de três encontros presenciais, com intervalo de uma semana, nos quais consumiram refeições de igual composição nutricional, porém em diferentes ordens: (1) carboidratos primeiro, seguidos por proteínas e salada; (2) proteínas e salada primeiro, seguidas por carboidratos; e (3) refeição mista com todos os componentes consumidos simultaneamente. As medidas de glicemia capilar foram realizadas 120 minutos de cada refeição. A análise estatística, por meio de ANOVA de medidas repetidas, revelou diferença significativa entre as condições (p = 0,012). Surpreendentemente, a ingestão de carboidratos antes das proteínas apresentou menor resposta glicêmica média (89,31 mg/dL) em comparação à ingestão de proteínas primeiro (100,56 mg/dL) e à refeição mista (100,06 mg/dL), que não diferiram entre si. Esses resultados contrastam com grande parte da literatura, que indica redução da glicemia quando proteínas e fibras são ingeridas antes dos carboidratos. A divergência encontrada pode ser atribuída ao perfil metabólico dos participantes, caracterizados por alta sensibilidade à insulina, além de fatores relacionados ao desenho experimental, como o intervalo de apenas 10 minutos entre os componentes da refeição. Conclui-se que a ordem de ingestão de alimentos influencia a glicemia pós-prandial, mas o efeito observado depende do estado metabólico e das características da população estudada. Os achados reforçam a importância de personalizar estratégias alimentares, considerando que protocolos eficazes para indivíduos com resistência insulínica podem não gerar o mesmo efeito em indivíduos jovens e saudáveis. Este trabalho contribui para o avanço do conhecimento
na área da nutrição, abrindo espaço para novas investigações em diferentes populações e contextos clínicos.


Palavras-chave


índice glicêmico; glicemia pós-prandial, nutrição.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10876

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